domingo, 14 de setembro de 2008

A Menina mais Bonita do Mundo

Meu deus... em que ponto chegamos?!

Hoje após o futebol, que diga-se de passagem PALMEIRAS 1, Cruzeiro 0, passeando pelos canais da televisão, vi o Gugu anunciar a exposição da menina mais bonita do mundo. Todo orgulhoso ele exibia a reportagem da revista Veja desta semana referente à tal menina, e dizia que iria mostrá-la ao vivo!

A pobrezinha tem apenas 5 aninhos de idade, mora em uma cidadezinha do interior do RS., tinha tudo para ser uma criança normal e feliz. Mas... não! Os pais desta criança a imputaram um trágico e tenebroso destino: o da exposição.

Essa menina não é mais uma criança. Ela é uma boneca. Um pintura. Perdeu o status de ser humano para ganhar a fama de "a mais bonita do mundo". Coitada! Enquanto as meninas normais brincam e se divertem, ela passa horas na frente do espelho, admirando sua paisagem e se embelezando.

Sua mãe, orgulhosa, disse que ela é uma criança normal, que vai à escola e organiza muito bem o seu dia. Uma menina de 5 anos que organiza muito bem os seus horários? E a vida que está passando lá fora? Coitada!

A mãe, ainda orgulhosa, ao ser indagada pelo apresentador se a carreira da menina foi escolha dela ou dos pais, respondeu que: "A escolha é dela. Apesar de ter somente 5 anos, ela é uma menina muito madura. Seu pai e eu nunca a proibimos de fazer nada." Meu deus! Coitada!

Os pais deixam que uma criança de 5 anos, que não sabe nada sobre a vida, faça "escolhas" que ela não tem idéia sobre as consequências disso para sua vida futura; diz que a filha é madura e que NUNCA, você leu certo: nunca a proibiu de fazer nada. Coitada! Com pais assim, quem precisa de inimigos.

Enquanto o apresentador entrevistava a mãe da menina lá estava ela... toda decorada, como um bolo de casamento. Ostentando um falso sorriso que sua mãe lhe ensinara a empossar: uma paisagem... murcha como uma pintura grei.

Após tudo isso, a menina foi desfilar e CAIU! Meu deus... ela caiu! Quem sabe ainda lhe resta uma ponta de esperança para voltar a vida, e de fato ser uma criança normal. Tenho esperanças.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Fausto de Goethe

Atualmente estou lendo a tragédia de FAUSTO, criada por Von Goethe. Logo no início, fiquei interessadíssimo devido ao comentário que diz assim:
"A massa só se empolga pela massa,
Cada um escolhe uma parcela assim;
Dai muito a cada um, dando algo que o satisfaça,
E gratos todos saem no fim.
Dais uma peça, e dá-la logo em peças!
Não falharei numa iguaria dessas;
Tão fácil é inventar quão exibir o engodo.
De que vos serve apresentar um todo?
O público o esfrangalha mesmo, às pressas."
Fico admirado que desde 1772, quando fora escrita a primeira parte da peça, o povão já se contentasse com tão pouco. Fiquei impressionado com ao comentário por ver que a "sociedade moderna" em nada se diferencia da pós-medieval, arcáica como tal.

A massa só se empolga pela massa desde sempre até hoje. Fico pensando, nestas circunstâncias, se quem não se empolga com a massa é de fato "elite" ou anormal. E nesse sentido de anormal, quem não o gostaria de ser?

No mundo das massas, não se empolgar com o pão e circo é ser um desclassificado, um incontente desprezível, imoral, fadado à insatisfação e à ingratidão, em miúdos, um desgraçado.

O que fazer, então? Nada! Cada um se move pelo que é de si mesmo. Cada um se satisfaz com que é a sua essência. Ninguém deve ser um fanático louco querendo imputar as "boas" maneiras, princípios e teorias àqueles que não têm essa essência. Caso contrário, o bonito, belo e bom, seria depreciado.

Isso me ajudou tanto a enxergar as coisas de um jjeito diferente que me deu até vontade de desistir desse blog, mas... são somente conspirações de meu espírito abalado, e filosofias de minha mente (in)comodada.

Se conseguirem entender o que eu quis dizer, me escrevam.

Beijos.